I shop, therefore I exist

A few months ago I realized how the US are especially competent when it comes to enjoying a holiday. They do it better than anyone else. Be it X-mas, Thanksgiving, Halloween or whatever Coca-Cola decides to come up with next; these guys really go for it. And you can tell which holiday is coming next by the new flavour of Starbucks’ limited edition latte, the décor at the Korean supermarket around the corner and by the amount of random themed products that you’ll find at CVS.

So I thought that yep, sure this could all get sort of out of control and get us stocking dusty papier-maché turkeys, plastic pumpkin lanterns and neon Rudolphs. But I also thought that we could just enjoy the super excited approach to holidays without necessarily having to buy into the consumerism behind it and get a loan just to take our significant others to that fancy French bistro on Valentine’s Day.

But I guess I have to admit that the idea behind this overdosed celebration is, indeed, to fuel consumerism. The goal is to think of all the possible products and services that could remotely relate to the holiday in question, wrap it into a nice package, get Kendall Jenner to share it on her Instagram and… bang! Almost impossible not to want two of it.

I was naïve to think that everyone has the common sense, solid values and their priorities set straight, and could free willingly duck away from the temptation to buy an expensive teddy-bear-holding-a-heart if they’re having a hard time to get the rent in the end of the month.

But to assume that a great part of the population has had access to the solid education and upbringing that takes to build those values is ludicrous. Especially when we’re talking about a country where media has such a substantial power; a country where, in the most important sports event of the year, you get more adds than… sports. The pressure is just so vile that I understand how people give in. Give in to that offer of yet another credit card that’s mailed weekly to your front door, ending up with a crazy debt just to have that tiny moment of shopping bliss.

Every manufacturer gets that and the great challenge lays in discovering, each year, how to sell more and how to charge more for it. Here in the US, as in any other country, stagnating is not an option. But here’s what I find special about America: they are far more creative than other countries.

One example from Boston: the city where the Sons of Liberty threw tea into the sea in 1773 as a way to protest against Britain’s taxation tyranny, initiating the Boston Tea Party movement. Well, did you know that today, “for the small amount of $25” you can actually take the Boston harbour Museum tour and simulate that you’re throwing the tea into the water yourself! Now ain’t that brilliant? I mean it, really ingenious people.

But what caught my attention the most, what made me understand that there’s no limit when it comes to finding new sources of income happened on Valentine’s Day.

Now, please don’t tell me you thought a Lindt chocolate box was a good valentine’s gift. Did you fall for that teddy-bear-with-a-heart thing? Shame on you. Why buying roses when you can buy… a star!?

No, this is not metaphorical. I’m talking about an actual star, these shinning celestial bodies that have been hanging around for such a long time, just waiting to be a part of our great free economy game.

Well, with $54 dollars you can “buy” or “give the gift of” a star. Or at least that’s what the ad says. Actually what you do is you name a random star in the Universe (actually most likely the fading light of an already “dead” star) with whatever name you feel like so you can hang on your bedroom wall a certificate stating that somewhere out there, in the most profound depths of the Universe lays a star named “Bill & Susan forever”. Because isn’ t that the coolest thing ever?

Oh, by the way, this is the price for the basic deal. Why not upload to the Deluxe and get the certificate framed into a beautiful golden frame and a card to go with it, so you can take the coordination of your star’s location with you all the time? What the hell, just get a whole constellation and name all of your family members! Engrave jewellery with your star’s coordination! The possibilities are as infinite as…well as Universe itself!

All I know is that, while for some people this bizarre amount of offers feeds that crave for sliding one’s credit card, for me it has been having the opposite effect. The more I realise how banal consumption has become, the less I want to buy. I guess I’m afraid of letting myself go a little and not knowing when to stop; maybe I just don’t want to feel fooled realizing I felt into a silly “limited time only” trap. All I know is that it got me thinking if I really want to buy all that stuff or if I’m just letting myself get carried away. Most times I end up leaving everything in the dressing room and getting out empty handed. And it feels good.

So my proposal today is: shop less. Think twice if you really need another bag; didn’t you have a shirt just like that at home? Spend less time worrying about what to get for your dad for x-mas and just spend some time with him.  Spend more time enjoying all that stuff that “you wish to do, but never have the time to do it”. I reckon that this sort of bliss is a tiny bit more long lasting than getting a huge deal on that a-mazing last season’s Michael Kors.

Oh, and you might want to include appreciating a starry night once in a while on that list. Just in case, while it’s still free.

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Compro, logo existo

Alguns posts atrás eu falei sobre como os EUA são especialmente foda em viver feriado como nenhum outro lugar. Pode ser Natal, Thanksgiving, Halloween ou o que a Coca-Cola decidir inventar a seguir; esse povo se joga de cabeça na vibe temática e vive aquilo com uma satisfação que dá gosto. Dá pra antecipar qualé o feriado ou a data comemorativa que tá vindo pelo sabor do latte edição limitada no Starbucks, a decoração do supermercado coreano da esquina e pela parafernália de objetos de consumo de teor do mais variado que se encontra na farmácia.

E eu disse que acho sim que isso tudo pode desandar prum consumismo do tinhoso e fazer a gente acumular poeira no armário em cima da geladeira com peru de papel machê, abóbora de plástico e Rudolph de neon. Mas também acho que dá só pra curtir a empolgação americana com feriado sem entrar nessa de comprar bugiganga e sem se endividar caindo na pegadinha do pack especial de dia dos namorados do bistrozinho descolado.

Mas sim, tenho que admitir que a ideia por trás dessa overdose de celebração é motivar o consumo. Pensar em todos os produtos e serviços que poderiam meramente se relacionar com o feriado da vez e botar num pacotinho bacana, subir uma propaganda com a Kendall Jenner no Youtube e – pimba! Fica quase irresistível querer dois de cada.

Na minha inocência, eu considerei que com um tiquim de bom senso, com valores sólidos e com as prioridades arrumadinhas na cabeça qualquer cidadão poderia, de livre e espontânea vontade, se esquivar da tentação de comprar um urso de pelúcia abraçando um coração quando se está pelejando pra pagar o aluguel no fim do mês.

O negócio é que assumir que a grande massa da população teve uma base sólida pra construir esses valores é lorota. Ainda mais morando num país onde a mídia tem um poder do caramba, onde no evento esportivo mais celebrado do ano rola mais comercial do que esporte. A pressão externa é tão absurda que entendo como tem muita gente que acaba cedendo. Acaba aceitando a oferta de – yet another – cartão de crédito que chega pelo correio cada semana e acaba acumulando uma dívida bizonha pra ter aquela satisfaçãozinha tão momentânea do consumo.

O mercado entende isso e o grande desafio vira descobrir como, cada ano, vender mais e mais caro. Aqui nos EUA, como em qualquer outro lugar desse mundão afora, estagnar não é uma opção. E eu achei que, nesse quase ano de viver em terras gringas, já tinha visto de tudo. Não mesmo.

Se há de dar crédito ao povo americano por uma coisa: eita povim creativo.

Um exemplo aqui de Boston – e de quebra uma palhinha de história: aqui foi onde se iniciou o movimento do “Boston Tea Party” em 1773, com os Sons of Liberty jogando no mar o equivalente a $700.000 de chá como maneira de protestar contra a tirania dos impostos ingleses. Pois hoje em dia você pode ir no porto de Boston e – por apenas $25! – reviver a experiência de 1773! Simule que você mesmo está jogando caixas de chá no mar! Fala se não é brilhante? Esse povo não tá de brincadeira não.

Mas o que mais me chamou a atenção, o que me fez entender que não existe limite em se tratando de fazer circular doletas no mercado, rolou no dia dos namorados.

Vai me dizer que você achava uma caixinha de trufas da Cacao Show era um presente bacana? Caiu naquele truque do urso de pelúcia com coração afinal? Shame on you. Para quê comprar rosas se você pode comprar… uma estrela?!

Não é metáfora não, tô falando de estrela mesmo, esses corpos celestes brilhantes que tão aí no céu há tanto tempo dando bobeira pra virar mercadoria.

Pois a partir de $54 você pode “comprar” ou “dar de presente” uma estrela. Ou pelo menos isso é o que a propaganda diz. Na verdade se trata de dar o nome que você quiser a uma estrela aleatória do universo e receber um certificado de que rola uma estrela na profundidade do cosmos (ou provavelmente a luz de uma estrela que já não existe há milhares de anos, aliás) nas coordenadas xyz com o seu nome. Ó que bacana.

Ah, bom, ok, esse é o preço do pacote básico. Por que não fazer logo um upgrade pro deluxe e receber o certificado em uma moldura dourada metálica e um cartão pra levar no bolso com as coordenadas da sua estrela, em caso de emergência? Dá pra comprar constelação e botar o nome de cada membro da família. Bota a coordenada da estrela num pingente de coração, já que tamo nessa mesmo. As oportunidades são tão infinitas como… bom, como o universo mesmo.

Eu sei que enquanto pra muita gente essa oferta disparatada de consumo só atiça aquela vontade de lascar a mão no cartão de crédito, pra mim tem cada vez mais gerado o efeito contrário. Quanto mais eu me dou conta da banalização do consumo, mais eu quero comprar menos. Acho que rola um medo de me deixar levar se eu cedo um pouquinho e uma antipatia de me pegar caindo em tentação sabendo como tá tudo programado pra me fazer escorregar na armadilha. Eu fico sem saber se quero comprar aquele troço mesmo ou se me deixei influenciar de alguma maneira e acabo deixando tudo no provador e indo embora de mão vazia.

Proponho aí o desafio pra quem tá vindo pros EUA de férias, quem vai passar uma semana em NY, uns dias em Miami. Entra nessa não. Pensa bem se você precisa mesmo comprar tanta coisa, vai usar quando? Não tem outro parecido? Volta pra casa com a mesma mala que trouxe, larga mão do outlet e se esmera pra ver as outras mil coisas legais que se pode fazer por aqui.

E se pegar um vôo noturno voltando pra casa, da uma espiada no céu estrelado pela janelinha do avião – aproveita que olhar ainda é de graça.

Happiness is a matter of benchmark

Last week I discovered a new fun fact that I just have to share with you guys: -40 degrees is the temperature where Celsius and Fahrenheit meet.

Now, ain’t that something?

And you can ask me “wait, but how the hell does the equation that relates Celsius to Fahrenheit work then? – that’s crazy”. I know. But actually what you should be asking me, as I would’t have a clue about how to answer that #foreversocialsciences is: “wait, but why the hell did you lose any time searching the conversion between    -40 Fahrenheit and Celsius?” And the answer is simple: Google told me that the weather in Boston last weekend would “feel like” -40 Fahrenheit and I thought, for just a innocent second, that maybe that meant +22 in Celsius. You never know, right?

Yeap, not the case.

Resigned and with cold feet, I woke up last Saturday and went to check the weather on my cell phone app to see if it was still safe to go out and get some eggs at the supermarket from the corner. It’s that old saying: “If life gives you -40 degrees, you make yourself some eggnog”.

Now, a bit of context: December last year I travelled to Colombia and, to be updated on the weather over there I added “Cartagena” to the list of cities to follow on my phone’s weather app.

Don’t try this at home. Ever.

Cartagena is a nasty little city where the weather dares to vary from 80 to 95 degrees all year long. Spoiler: if you go to Cartagena next winter it will be 80 degrees by night and 95 degrees noon. Out of shameless laziness, I ended up leaving it on my weather app. And ever since, every time I go check the weather in Boston what I find is: Cartagena: 81 degrees, Boston, 19. Cartagena: 89, Boston: 10. And every time I think that there’s someone in Cartagena dragging some flip flops around and drinking mojitos while I’m mummifying myself in scarfs to go to the supermarket around the corner I get a little bid sad. It’s not deep sadness, it’s more that tiny second when of bumping-your-little-toe against-the-coffee-table or waxing-your-calf-with-cold-wax type of thing. But still, it happens every time.

Ok, back to last Saturday morning. I decided I had had enough of this daily dose of grumpiness – specially because I knew Boston could never beat Cartagena, not even in the summer, and I decided to adopt a new tactics: I snapped “delete” onto “Cartagena: 93 degrees” and searched for a city just about in the middle of Siberia, that was reasonably populated and had a satisfying winter weather average: Novosibirsk. 1.5 million people live in this beautiful city. 1.5 million people are, as we speak, at -8 degrees. Boston: 23. Novosibirsk -7, Boston: -25, Novosibirsk: -18, Boston: 20.

Muahaha!!

I’ve been in love with Boston ever since. What a pleasant weather! Delightful afternoon winds! In Novosibirsk the sun rises at: 11AM. Sets at: 11:17AM. And Boston with this wonderful daylight until 4PM, what a luxury!

Now, please observe my dear readers, how basic, naïve and bastard the human happiness can be. Observe that absolutely anything regarding the circumstances of my day has changed. It’s not a degree warmer in Boston, one should note. I’ve just changed the benchmark, my base of comparison, if you will. In the attempt to feel more at ease with Boston’s winter, I found a goddam shortcut to happiness.

“Ok, but why should I care, if I live in Miami, Santa Barbara or Singapore and I don’t have to compare myself to a habitant of Novosibirsk to feel happy about my life?”

That’s the thing. The benchmarking technique can be actually applied to the most various different aspects of life. And I tell you something: it IS already responsible for outlining our happiness without we even realizing it. I bet that most of us, facebook likers and instagram voyers suffer with the silent exposure to a “destructive benchmark” that little by little, post by post, gets us to think that our life is lees cool, our vacation less awesome and our friends less likely to be tequila shots partners.

All this filter of information that happens through the facebook-of-the-season makes it so that everyone else’s lives look a lot like Cartagena while we’re stuck in Boston in the winter. And that’s not fair because, by simple logic, if most of us feel this way, this can not possibly be true. But as nobody posts pictures while “On my boxers, farting and watching Seinfield re-runs” and we all post “awesome weekend at the Suisse alps with the best friends in the world” we end up with this bad “my life is mediocre” taste in our mouths.

I think the biggest issue with all of this is that we’re not entirely conscious about it. Up until I replaced Cartagena for Novosibirsk I hadn’t realized just how much that comparison was affecting my mood every day. And I think that those 15min of sliding our fingers through our timeline can seem harmless, but they’re actually rather perverse. Every backpacking trip around Europe, every friend that comments on an amazing new project at work every, “I’ve just ran 4,3 miles with Nike. Feeling blessed” adds up and builds a little sadness inside of us, and in my view, contributes to have a whole generation pressuring itself to “live life to the fullest”, “do what you love all the time”, “be happy today as if it were the last day of your life”. Because we do get deluded that there are a lot of people, or worse – a lot of our friends, our college classmates, the guy sitting next to us at work – that are just having a blast all the time.

Well, let me tell you something: a lot of people who live in Cartagena do get fed up with the heat from time to time. So, let’s stop fantasizing that everyone else’s lives are – just – wonderful in 3,2,1?

Oh yeah, sure, but how do I do that? Ok, can I start following a friend that has never travelled beyond Kansas so I can feel better about spending my summer at a cheap all-you-can-eat buffet hotel in Florida? Yep. Can I invite an unemployed friend to join LinkedIn so I feel better about my boring job? Sure, add me to your connection’s list, be my guest.

But while I believe this tactic is – highly – effective to calm down winter grumpiness, I do advise something a little more long-term to deal with important life issues: compare yourself a bit less with your high school mate, speculate a bit less about your neighbour’s life, delete facebook from your phone and… wait for it – become your own benchmark!

Wait, what, is that even a thing? Hell yeah!!

Are you feeling a bit “help, just woke up in Boston in the winter”? Think about how much you’ve learned at work ever since that crazy new boss arrived last year; celebrate how much your Spanish has improved ever since you’ve started watching Narcos; spend a little more time going over the photos of your last family trip and less time at Chrissy Teigen’s Instagram; compare yourself less to your professional snowboard friend and remember that, for someone that a year ago couldn’t even stand up in skis, going down the children’s slope is goddam amazing (by the way, if you do need benchmark to feel better about your ski skills, I can send some personal videos).

I know that this smells like those “before iphone everybody talked to each other at the subway” talks, but that’s not what this is about. I really don’t think that that Zuckerberg kid is to blame. This impulse of comparing oneself to ones peers is inherent to our nature. But I do think that with facebook, instagram and other networks it has become a lot easier to access other people’s “intimacy” and curate the image we project to the world, so we do need to make an extra effort so that our neighbours’ super exciting lives don’t occupy too much space in our imagination.

But anyhow, if none of this works, worry not: just get a ticket to Cartagena and you’ll be just fine.

Felicidade é questão de benchmark

Fim de semana passado eu descobri um fato novo interessante pra dividir com aqui vocês, pessoal: -40 graus é a temperatura onde celsius e fahrenheit se encontram.

Ó que bacana.

E você pode me perguntar, “mas que loucura gente, como é que funciona a equação que relaciona celsius e fahrenheit então?”. Mas o que você deveria estar me perguntando, até porque eu obviamente não teria noção de como te responder uma pergunta dessas, #soudehumanas, é: “why the hell você perdeu tempo pesquisando quanto é -40 graus em celsius, moça?” E a resposta é simples: Google me disse que a sensação térmica em Boston este fim de semana seria de -40 fahrenheit e eu pensei por um segundim só que de repente isso poderia significar +22 em celsius, vai que.

Pois é, não. Resignada e de pé gelado, eu acordei no sábado e fui checar o tempo no aplicativo do celular pra ver se o clima ainda estava humanamente suportável pra sair pra comprar leite condensado pra fazer canjica. É aquele velho ditado: “Se a vida te der -40 graus, faça uma canjica”.

Agora, contexto: em dezembro eu viajei pra Colômbia e, pra ficar a par do clima por lá eu adicionei “Cartagena” à minha lista de cidades no aplicativo de Tempo no celular.

Não façam isso. Jamais.

Cartagena é uma cidadezinha sem-vergonha onde o clima, durante todo o fuckin’ ano, varia entre 26 e 35 graus, com sol. Todo o ano. Spoiler: se você for pra Cartagena nesse inverno, vai fazer 26 graus à noite e 35 graus ao meio dia. Por conta de uma preguiça marota, eu deixei aquela cidade ali, gravadinha na memória do aplicativo do celular. E então cada vez que vou olhar a temperatura em Boston, o que eu encontro é: Cartagena: 28 graus, Boston: -7. Cartagena: 32 graus, Boston: -12. E cada vez que eu penso que tem alguém em Cartagena arrastando havaiana e tomando mojito enquanto eu tô me mumificando em cachecol pra ir ao supermercado da esquina eu fico um tiquim mais triste. Não é uma tristeza profunda não, é só aquele mini-segundo mesmo de bater-mindinho-na-esquina-da-mesa, depilar-canela-com-cera-fria que logo vai embora. Mas acontece cada vez.

Ok. Voltemos ao sábado de manhã. De saco cheio dessa raivinha diária – principalmente por saber que Boston nem no verão vai se vingar de Cartagena, resolvi adotar uma nova tática: lasquei o delete em “Cartagena: 34 graus” e busquei uma cidade ali no meio da Sibéria, que fossa razoavelmente habitada e que tivesse um inverno nos trinques: Novosibirsk. Um milhão e meio de pessoas moram nessa beleza de cidade. Um milhão e meio de pessoas estão, agora, a -22 graus. Boston: -5, Novosibirsk: -22. Boston: -12, Novosibirsk: -28.

Muahaha!!

Desde então, tô de lua de mel com Boston. Que clima mais agradável. Temperatura amena. Que sorte a minha! Em Novosibirsk, sol nasce: 11AM. Sol se põe: 11:17AM. E Boston com essa claridade até 4 da tarde, que luxo!

Agora observe, meu caro leitor, que básica, ingênua e cretina é a felicidade humana. Observem que absolutamente NADA mudou nas circunstâncias do meu dia a dia. Não é que tá fazendo mais calor em Boston, percebe? Só mudei o benchmark, a base de comparação mesmo. Na tentativa de me aclimatar a esse inverno do tinhoso, olhe veja: descobri um atalho mutreta pra felicidade!

“Então, ok, mas o que eu posso tirar disso se eu moro em Belo Horizonte, Barcelona ou Palmas e não preciso me comparar com Novosibirsk pra ficar feliz sobre a temperatura na minha cidade?”

Aí que tá. O negocio é que a técnica do benchmark pode ser utilizada pra tudo nessa vida. E digo mais, ela JÁ modela nossa visão de felicidade sem a gente saber. Truco que a maioria de nós, que chegou até este post através do Facebook sofre com a exposição silenciosa ao “benchmark destrutivo”, que pouco a pouco – no caso, post a post – faz com que a gente pense que a nossa vida é a menos legal, nossas férias as menos bacanas e nossos amigos os menos parceiros de shot de tequila.

Essa filtrada de informação que rola através do Facebook-da-vez faz com que a vida alheia seja uma constante Cartagena enquanto a nossa é Boston no inverno. E não é justo isso, porque, por lógica, veja bem, se muitos de nós sentimos isso, isso não pode ser verdade. Mas como ninguém posta o momento “Peidando de cueca vendo reprise de Seinfield” e todo mundo posta “Fim de semana com os melhores amigos do mundo esquiando nos alpes suíços” a gente fica com aquele ranço no fundo da garganta de que a nossa vida é meio… medíocre.

E eu acho que o maior problema aqui é que a gente não se dá conta disso. Até eu trocar o Cartagena por Novosibirsk eu não tinha percebido o tanto que aquela comparação estava afetando o meu humor no dia a dia. E eu acho que aqueles 15 minutos de patinar o indicador na timeline podem parecer inofensivo mas eles são perverso pra caramba. Cada mochilão alheio pela Europa, cada amigo que curte um job novo do trabalho como quem curte o aniversário do sobrinho, cada Fulanito que corre 5,3km com Nike vai acumulando uma tristezinha que, na minha opinião, contribui pra uma geração inteira se pressionando pra “viver intensamente”, “trabalhar com o que ama”, “ser feliz hoje como se fosse o último dia da vida”. Porque nessa história a gente se ilude que tem muita gente, ou pior – muito dos nossos amigos, os nossos colegas da faculdade, o cara da baia do lado – que está o tempo todo surfando na crista da onda dessa vida.

Te contar uma coisa: um bocado de gente que mora em Cartagena de vez em quando fica de saco cheio do calor. Então assim, vamos parar de fantasiar que a vida alheia é – só – maravilhosa em 3,2,1?

Ah, claro, mas como faz? Rola de adicionar aquele conhecido que passa férias em num hotel fazenda em Brumadinho pra se sentir melhor sobre seu carnaval pra Cabo Frio? Ok. Rola de convidar o amigo desempregado pra te fazer mais felizim no Linkedin? Adiciona lá meu perfil!

Mas enquanto eu acho que a tática é eficaz (íssima!) pra apaziguar o mau-humor com o inverno, aconselho algo mais longo-prazo pras questões mais importantes da vida: se compara menos com o amigo do colégio, especula menos sobre a vida alheia, deleta o aplicativo do facebook do celular e… olha que bonito – seja seu próprio benchmark!

É possível?! Confere, produção?! Hell, yeah!!

Tá se sentindo meio “socorro, acordei em Boston no inverno”? Pensa o tanto que você cresceu no trabalho desde que o chefe sem noção entrou no ano passado; pega como seu espanhol melhorou desde que você começou a assistir Narcos; gasta um pouquinho mais de tempo revendo fotos de viagens boas antigas do que no Instagram da Giovanna Ewbank; se compara menos com o amigo que é profissa no snowboard e lembra que pra quem há um ano tremia nas bases quando botava um esqui, descer a pista de criança é foda pra caralho (se precisar de benchmark pra se sentir melhor no esqui, tenho uns vídeos pessoais que eu posso te mandar).

E eu sei que isso tem cheiro de papo nostálgico de “antes do iphone todo mundo era brother no metrô” mas não é nada disso, não acho que a culpa é toda do menino Zuckerberg. Acho que esse impulso de se comparar com o coleguinha do lado faz parte da natureza humana mesmo, só que com facebook e instagram fica mais fácil o acesso à “intimidade” alheia e à recauchutada da imagem que a gente projeta, então a gente precisa fazer um esforço maior pra vida do vizinho não ocupar muito espaço no nosso imaginário.

Mas enfim, se nada disso der certo, meu amigo, não se avexe: compra um vôo pra Cartagena que tudo se resolve.

 

Pão, Circo e um tiquim de conteúdo

Eu sempre soube que os EUA era o país do entretenimento.

Afinal a Xuxa e a vovó Mafalda (que, por sinal, era homem, pra quem acha que cross-dressing é coisa de millenial) moldaram a minha personalidade e os meus valores tanto quanto os filmes de polícia do Steve Martin ou aquele da orca assassina vingadora, que me faz ter medo de entrar no mar até hoje.

Mas morando aqui e vivendo o dia a dia desse lugarzinho maravilhoso que é a Americaaa, eu descobri que eu não entendia nada do poder do entretenimento desse povo. A premissa aqui é que tudo é passível de se tornar uma grande fonte de diversão, muito além do que você poderia imaginar. Basicamente, a indústria do entretenimento não se limita a Hollywood e Netflix. Ela é a base, o pano de fundo pras outras indústrias, o arroz com feijão que se combina com qualquer outro ingrediente pra deixar tudo mais divertido, interessante e, na maioria das vezes, comercializável.

Vem cumigo.

 

Evidência número 1: Jogo de hockey do Boston Bruins, TD Garden Arena, Outubro de 2015.

Na teoria segundo a qual eu vivo em atualmente, de que “quem tá na chuva é pra se molhar”, decido ir num jogo de hockey do time aqui de Boston. Não tinha muito ideia do que esperar, nunca tinha visto um jogo de hockey na vida, só tinha chegado até o curling. Minha imagem mental de como seria a partida se resumia ao resultado da equação: jogo do Galo quarta à noite no Mineirão + Gelo. O PF viraria frango frito, mas fora isso, nada fora da normalidade.

Pois então.

Entramos num estádio que deve ter uns 17 andares. Ou 4. Enfim, tudo de mármore, escada rolante e ar condicionado. A cada andar, uma variedade de restaurantes e de lojas dos times não está no gibi – coisa do nível do terminal novo de Guarulhos, pra se botar um benchmark, veja bem. Era como entrar num parque temático da Disney, o Magic Kingdom do hockey.

A partir daí você se dá conta de que o hockey em si é meio secundário. Das duas horas que você passa no estádio, rolam uns 30 minutos de jogo. O resto é show de abertura, show do intervalo, música no talo cada vez que marca gol, só falta Bel entrar num trio elétrico pra virar Axé Brasil. Tem o momento da plateia aparecer no telão, rola uma partida curta entre talentos mirins do hockey, you name it. Tudo, claro, devidamente patrocinado. Pra falar a verdade é uma experiência legal. Tipo, não tem como não ser. O negócio tá programado pra te entreter, pra te manter ligado, pra te seduzir. É a metáfora perfeita do fast food: um exagero tamanho de sal, açúcar e ketchup que não tem como não ser gostoso.

 

Evidência número 2: Final do campeonato de futebol americano universitário. Alabama vs Clemson, 11 de janeiro de 2016. Audiência: 26 milhões de pessoas.

Sim, minha gente, time de esporte de universidade aqui tem mais audiência que a novela da Record. Parece que uns 80 milhões de americanos seguem a liga de futebol americano de universidade regularmente. What!? Tipo além do trabalho, do tempo com a família, do Netflix, da academia e de atualizar o Instagram, 80 milhões de pessoas ainda têm tempo pra seguir o desempenho do Nebraska University futebol clube? Tá de brincadeira comigo. Não sei se foi só minha experiência e tô aqui achando isso tudo muitcho louco, mas pra mim o time da faculdade existe pra gente ir nos Jogos Universitários uma vez por ano, zoar no alojamento e tomar Skol no beer bong.

Eu me dei conta de que esse jogo táva rolando porque passei por acaso na frente de um bar e parecia final de copa do mundo: bar lotado e geral delirando em dois times que, observe, nada têm a ver com Boston. Explica isso? Pois sim, veja só, aqui a liga universitária é mega patrocinada, os estádios mega lotados, rola uma mega audiência e tem sujeito pagando até $300 doletas (nem queira multiplicar pra real…) pra ver um jogo desses. Mais uma vez, Estados Unidos fanfarrão pegando uma coisa que seria bobinha em qualquer outro lugar do mundo e transformando num mega evento em sua fantástica fábrica do entretenimento.

 

Evidência número 3: Debate entre os candidatos à presidência pelo partido republicano, 6 de agosto de 2015.

Ai minha nossa senhora. Eu precisava era fazer um blog paralelo pra cobrir as eleições e dar vazão pra tanto balacobaco junto.

Esse foi o primeiro debate da campanha e rolou um longo burburinho pré-debate, especulação de final de novela mesmo. Eu criei tanta expectativa com isso tudo que assisti o debate no telão, tomando cerveja, comendo pipoca e me jogando na enxurrada de comentários/gifs/memes da cara laranja do Donald Trump no Twitter.

Expectativas a parte, te conto que eleições aqui são mais glamourizadas que final de BBB. Um puta de um show de câmeras, luz, música – estatísticas durante o intervalo com dados reais de buscas no Google sobre os temas sobre os quais os políticos estão comentando. Participação de vloggers famosos fazendo perguntas sobre como os políticos vão engajar com a população jovem; uma plateia que parece animada pelo Roque e um país inteiro dando pitaco pela Internet. E, se perdeu um debate, sem problemas: chega ali depois no Youtube e você vai encontrar vídeos com títulos como “O momento mais vergonhoso de Hillary” ou “O discurso que fez Obama ganhar as eleições”. Tudo bem empacotadinho, do jeito que o consumidor gosta.

 

Eu tenho pensado muito em tudo que isso tudo representa e tem uma parte grande de mim que acha esse troço todo muito estranho, que acha bizarro como tudo acaba ficando industrializado, comoditizado, como tudo tem que ser awesome, fantastic, amazing ou the most shameful – a vida só é bacana no superlativo. E isso é, pra mim, indiscutivelmente uma coisa ruim.

Mas daí também eu comecei a fragar o meu próprio comportamento diante disso tudo. Você acaba sendo atraído sim a ver um jogo de futebol da liga universitária, que seja pra ver se é grande coisa mesmo. Você acaba clicando no “coolest debate ever”, porque com um título desse… né? E querendo ou não eu acabei sim me inteirando assim de coisas sobre a política daqui e me interessando sobre os temas pra querer ir mais a fundo. Querendo ou não, “ser super legal ser jogador de futebol na faculdade” faz o pessoal se interessar por esporte desde cedo.

Enfim, tô querendo jogar um pouco de advogada do diabo aqui, porque que criticar esse sistema da necessidade constante de awesomeness é fácil e eu acordei a fim de ver copo meio cheio. E eu sei que tem milhões de coisas negativas que podem vir disso, mas fiquei pensando, não tem um tiquim só que seja de lado positivo nisso? Não é também uma maneira de dar o açúcar pra criança tomar o remédio? Não?

É muito otimista da minha parte pensar que por trás disso pode existir algo bacana além de “Toma pão e circo por enquanto minha gente, que controle de armas, igualdade social e saúde pública vai demorar um bocadinho mais pra sair”?

Bread, Circus and a little bit of content

I’ve always known entertainment in America was a thing.

After all, a considerable part of my upbringing was crafted by Steve Martin’s cop movies, that film on a nasty whale seeking for revenge (which keeps me from snorkeling till this day) and Gilmore Girls.

But only now that I’m living in this wonderful place called America have I understood the real power of entertainment of these folks. The premise around here is that everything has potential to be fun – the entertainment industry is not limited to Hollywood and Netflix. Entertainment is the basis, the backdrop, the bread and butter that can be combined with any other ingredient to make everything more interesting, more appealing and, most of the times, more marketable.

Follow me, will ya.

Evidence number 1: Hockey game, Boston Bruins. TD Garden Arena. October 2015.

As I’ve been currently living by the “since we’re at it, might as well” lifestyle I had decided to go to a Boston Bruins hockey game, why not? I didn’t really know what to expect, I had never seen a hockey game in my life, I had only made it to curling. My mental image of the match was a combination of “Wednesday night regional league soccer game in Brazil + Ice”. Maybe add a bit of fried chicken to it and that’s it.

Yeah, right.

We entered a stadium that could easily have about 17 floors. Or 4. Anyhow, all marble, glass, escalators and air conditioning. At each floor, a never before seen variety of restaurants, stores and bars, the finest selection of fried chicken and burger joints you’ll ever see – we’re talking Cher’s Malibu mansion fancy, here. It was like entering a Disney themed park, The Magic Kingdom of Hockey.

From then on, you realize that hockey itself is kinda secondary. From the two hours you’ll spend in the stadium, you’ll get about 30 minutes of game. The rest is the opening show, the mid-time show, super high music playing every time they score a goal – you’re really one Chris Martin away from the Superbowl. There’s the moment when the audience shows up on the screen; there’s a short game of junior hockey talents, you name it. Everything, obviously, properly sponsored. To tell you the truth, it’s a cool experience. I mean, it has to be. The whole thing is programmed to entertain you, to keep you turned on, to seduce you. It’s the perfect metaphor for fast food: such an overwhelming amount of salt, sugar and ketchup that it simply has be tasty.

 

Evidence number 2: Final match of the American college football league. Alabama vs. Clemson, January 2016. Audience: 26 million people.

Yes, you got it; college sports in the US have more audience than the birth of a new baby panda in China. Apparently, about 80 million Americans follow the college football league regularly. What!? Are you telling me that besides work, time with the family, Netflix, gym and updates on Instagram, 80 million people still have time to follow on the performance of the Nebraska University football club? You got to be kidding me. I mean, I don’t know if it was just my experience and I’m the only one that finds it all muy crazy, but for me college sports teams only exist so we can go to the “Inter-College games” once a year, sleep in crappy motels and drink cheap alcohol on beer bongs. Right?

I actually realized this game was happening because I accidentally passed by a bar and it looked like the final match of the world cup: the place was completely packed and everyone was going bananas on these two teams that – please observe – had nothing to do with Boston. Yep, turns out that the American college league is mega sponsored, stadiums are usually mega packed and it has a mega TV audience. And folks would pay up to $300 to go to one of these games (jezz, it hurts to multiply it by 4 and get the price in Brazilian currency). Once again, the US taking something that’s considered lame in any other part of the world and turning into a mega cool event in its fantastic entertainment factory.

 

Evidence number 3: Republican Party debate. August, 2015.

Oh-em-ge. I really needed to create blog specifically dedicated to cover the elections and all the shenanigans related to it. Maybe I’ll do it.

So this was the first debate of the campaign and there was this huge fuss before it. It stirred up so much expectation on me that it made me watch it on a big screen, drinking beer, eating popcorn and flipping out on the amount of comments/gifs/memes around Donald Trump’s orange face coming up on real time on social media.

Let me tell you, the elections here have more glamour than an Oscar after-party. A huge show of cameras, lights, music – on every break you get live Google statistics on how people are searching about the topics the candidates are talking about. Popular vloggers interacting with questions. A crowd that goes wild at every controversial statement made by Trump (meaning: every statement made by Trump) and a whole country barging in with all sorts of comments on Twitter. And, if you missed a debate: worry not. You can later check out on Youtube and you’ll find videos with titles like “Hillary’s most embarrassing moments” or “The speech that made Obama win the elections”. Everything finely packaged, just how consumers like it.

 

Now, I’ve been thinking a lot about this, and about what it represents and a huge part of me thinks this is all a bit weird, it’s a bit freakish how everything ends up being industrialized, commoditized, how everything has to be awesome/ fantastic/ amazing or the-most-shameful – as if life was only cool when lived in the superlative. This is for me, something necessarily bad.

But then again I also started observing my own behavior towards it: I did end up being attracted to watch a college football game, even if it was just to see what all the fuss was about. I did end up clicking through the “coolest debate ever”, because with a title like that… right? And in the end, I did become informed about politics and it got me interested to a point that I wanted to know more about it, and discuss it. In the end, the fact that college leagues are super cool does make people be interested in sports from an early age.

Anyway, I’m trying to play a bit of devils’ advocate here, because criticizing a system of “need of ongoing awesomeness” is easy and I woke up wanting to look at the glass half full today. And I know that there are a million negative things that can come from all this, but it got me thinking: isn’t there also just a tiny bit of a positive side to it? Isn’t it a way to give sugar to a child in order for her to take in the medicine? Maybe?

Is it too optimistic of me to think that behind all this there’s something good, some cooler purpose, some actual benefit to society? Something beyond “Take a bit of bread and circus for now, because gun control, social equality and public health might take a bit longer to come out”?

 

 

 

 

 

 

 

A serious, urgent and relevant issue

I find it curious how we’re capable of using so much of our creativity and our time to do stuff that don’t have a real purpose behind them. They can be kinda funny, briefly entertaining, they make you go “hen” and faintly smile while you’re browsing through the deep dark road of your timeline, but they don’t actually change your life.

Like Lady Gaga Superbowl memes or Confused-Steve-Harvey gifs. Now, does that have any impact in our lives? Nope. And still, someone spent a decent amount of time in a basement making it, a time that could have been spent in reading a good book, learning how to play ukulele or creating a tutorial on how to clean bathrooms with no drain. How many trees could have been planted in that time, I wonder?! But then I also think that we do need these funny senseless stuff, we do need some gifs stored in our whatsapp chats to help us go through boring sales meetings or -daily – subway delays. Maybe they are not made created for a noble aspiration, but there’s still purpose to their existence.

But then there are a few things that we can try and look at with the best of intentions, but we just can’t find a meaning for why someone ever spent time making them. Some things to which we just have to say: enough, humanity. Stop spending time being re-creating or things that have absolutely no use. Stop redesigning things that are already pretty well designed. Just stop it

Well, ever since I’ve arrived in the US, I’ve been noticing the overwhelming wave of creativity and technology surrounding all things public toilets. From the sign of Men/Women at the door, to state of the art methods of flushing, unthinkable ways of opening up a tap and a wide variety of hand drying solutions. And I can’t help but wonder why have toilets been attracting so much creative capital? And what’s with the design people expressing their deepest inspirations and creative essence in the realm of public toilets? What the hell?
Ok, so let’s look into it and start establishing some ground rules here, because things are beginning to get out of control and someone has to do something about it.

First. The male/female sign at the door. Once and for all people: just write “men” or “women”. Or boys/girls. At the most ladies/gentlemen, because from here we already start going down a rabbit hole, I mean, when was the last time you said “That gentleman over there just stole my spot in the line”, who are we kidding? So please don’t give me sistahs/brothas, pointers/setters, drawing of a broccoli/artichoke. There’s no point in that. We’ve established the rules and they do not need improvement. Everyone gets it and frankly no one wants to be faced with a drawing of a flamingo in the sunset and try and make out if they’re going through the right door. Period. Art directors, please: just type MEN in Times New Roman 36 and let go.

But that’s actually nothing. Because virtually every time you go into a public bathroom, you’ll most likely find a new technology, something that was supposed to be cool, practical and hygienic but that’s actually just stopping you from peeing in peace.

For instance, I believe my American friends will agree with me that we are definitely going through the age of automatic flushing. Sensor flushes popping out like mushrooms. Yep, I got it, great idea. I can actually picture the meeting that took place somewhere in the Silicon Valley, with all those engineers presenting that breakthrough idea to the marketing director. Standing ovation. Tears of joy. I’m pretty sure the sensor flush made someone become a CEO. But in reality, when facing an automatic flush one of the two scenarios will happen: either the flush will be activated 8 times during your 45sec pee, splashing water all over or you’ll gonna have to moonwalk repeatedly in front of the toilet until you finally manage to activate the sensor.

Okey. Let’s just wash our hands and get outta here.

Not so fast.

Because let me tell you, dear friends, that the major focus of innovation, the culmination of engineering creativity of the 21st century does not lye on the self-driving-car. It’s not Google glass. It’s public toilets’ tap systems.

Jeez.

I’ve started counting (doing some serious research to bring you the most accurate data, dear readers) and since last week I’ve seen 17 different tap systems in public toilets around Cambridge.

There’s the sensor, yep, also in the tap, the toilet-designer’s’ sweetheart technology at the moment. There’s the one that you press and then either it starts spilling out water like crazy and there’s no way to stop it and you’re promptly embarrassed on the ridiculous amount of water you’re wasting; or just a very thin stream of water comes out only to activate the sticky properties of the soap and make your hand feel dry and gluey for the rest of the day. There’s the one that you have to pull a pin. There’s the old school that you turn to open. The one activated by foot – most certainly a hit at the 2009 toilet-designer convention.

But the problem isn’t so much that these “technologies” don’t work. It’s more the fact that you never now at first the type of technology you’re facing, so you’re always swaying your hands all over, kinda pressing around the tap, trying some voice control until you end up giving up and leaving. See how serious this is? A matter of hygiene and public health.

So, my dear designers. Lovable engineers. Please stop. Be the voice of change in your community and say: enough! Let’s stop innovating on purposeless things; so much talent is being wasted! Let’s apply it to popularize solar energy to add a search function to the whatsapp chat.

Please, let’s stop wasting our time and let’s use our lives to contribute with something serious, important and urgent in our society.

Take this blog post, for instance.

 

Assunto sério, urgente e importante

A gente as vezes utiliza nossa capacidade criativa prumas coisas que não têm muito sentido, não é mesmo? Elas podem até ser engraçadinhas, simpáticas, te fazem dar aquele “hen” acompanhado de um sorriso amarelo, enquanto você está perdido em algum lugar obscuro da sua timeline mas elas não mudam muito a nossa vida.

Tipo os memes da Renata Sorrah roubando a taça da copa do mundo depois do jogo contra a Alemanha ou o vídeo no Youtube da Dilma falando sobre “estocar vento” versão remix. Diz se aquilo tem algum impacto na vida?! Tem não. E ainda assim alguém passou uma quantidade boa de tempo fazendo aquilo, um tempo que poderia ter sido empregado pra tipo fazer coleta seletiva, pruma discussão realmente profunda sobre política, pra fazer tutorial de como se lava banheiro sem ralo. Quantas árvores poderiam ter sido plantadas naquele tempo, eu me pergunto!? Mas daí eu penso que a gente também precisa desse bom humor, a gente precisa ter um vídeo desses guardado no celular pra ficar vendo no mute durante a convenção de vendas da empresa. Pode não ser o propósito mais nobre, mas ele tem lá seu sentido.

Mas tem umas coisas que a gente pode tentar olhar com a melhor boa vontade do mundo, mas que simplesmente não tem como encontrar um sentido praquilo. Algumas coisas pras quais a gente deve falar: chega, humanidade. Pa-rô, pessoal. Vamos deixar agora de tentar ser criativo com isso e ficar inventando moda porque isso não tá levando a absolutamente lugar nenhum.

Pois bem, desde que cheguei nos EUA, eu tenho percebido a diversidade descabida de criatividade e tecnologia aplicadas a banheiros públicos que rola por aqui. Desde o sinal de Homem/Mulher da porta, até métodos dos mais variados de descarga, maneiras impensáveis de se abrir uma torneira e sistemas mil pra se secar as mãos. E eu fiquei pensando aqui por que o pobre coitado do banheiro atrai tanto capital criativo? Que ânsia é essa das galera do design de expressar o espírito inovador o “thinking out of the box” justo no lavabo? Por que isso?

Então vamos lá, vamos dar uma analisada e estabelecer umas regras aqui porque o negócio ta descambando e tá passando da hora de alguém fazer alguma coisa a respeito.

Primeiro: Indicador de banheiro feminino e masculino. Como fazer? Vamos estabelecer aqui de uma vez por todas: homem/mulher. Ou feminino/masculino. No máximo damas/cavalheiros, porque já começa aí a ficar uma rocambolescada desnecessária, até porque qual foi a última vez que você comentou que “Aquele cavalheiro ali roubou meu lugar na fila” não é mesmo? Então não vale eles/elas, azul/rosa, desenho de flor de pupunha/cravo da Índia. Não tem porque. A regra tá estabelecida já, ela não precisa ser melhorada. Todo mundo entende, ninguém quer ser surpreendido com um desenhozinho gracioso porém confuso de um flamingo no pôr-do-sol e ter que tentar adivinhar se tá entrando no lugar certo. O-key?! Diretor de criação, cancela o job: mete ali um homem/mulher em letra Arial 36 e morreu assunto.

Mas isso não é nada. Porque a cada banheiro que você entrar, você vai se deparar com certeza com uma tecnologia nova, que era pra ser super bacana, prática e higiênica mas que no fundo só te impede de fazer um xixizinho ali em paz.

Aqui nos EUA por exemplo tá rolando bem uma fase de descargas automáticas. Pipocando descarga com sensor pra tudo quanto é canto. Aham, ótima ideia. Imagino a reunião de diretoria no silicon valley com a galera do departamento de engenharia apresentando essa grande inovação pro diretor de marketing. Aplausos, lágrimas de emoção. Teve alguém que virou CEO por causa da descarga com sensor com certeza absoluta. Na prática, te conto que uma das duas opções vão acontecer: ou a descarga vai ser acionada 8 vezes durante os 45 segundos do seu xixi, espirrando água adoidado, ou você vai ter ficar sambando na frente da privada por uns bons minutos até ter a sorte de ativar o famigerado do sensor.

“Ok, vambora, vamo lavar a mão e sair desse lugar pelo amor de deus”.

Quem disse?

A inovação maior, o foco máximo da criatividade e esforço da engenharia do século 21, não é self-driving-car, meu amigo, nem nada de Google glass, nada disso. É configuração de pia de banheiro público.

MEU DEUS.

Eu comecei a contar desde a semana passada e já vi 17 maneiras diferentes de se abrir uma torneira em banheiros públicos por aqui: tem o sensorzinho também, tecnologia queridinha dos designers de banheiro, ao parecer. Tem o que você aperta e daí: ou fica rolando água, sem parar, e não tem como fazer parar e você fica mal com o desperdício absurdo de água que você ta causando; ou sai aquele fiozinho minguado de água que só ajuda a fazer mais espuma no sabonete e melecar a mão. Tem um que você puxa um pino pra cima. O old school, que você abre mesmo. O que ativa com o pé – com certeza o hit da convenção de designers de banheiro de 2009. Mas o problema não é tanto que eles normalmente não funcionam bem. O problema é que você não consegue identificar de cara diante de qual tecnologia você está e fica meio que rebolando a mão, meio apertando tudo, meio tentando um comando de voz até que acaba desistindo e ficou por mesmo. Tá pegando a seriedade do assunto?! Questão de higiene e saúde pública.

Enfim, queridos amigos do design. Engenheiros do meu coração. Faz isso não. Seja a voz da mudança na sua comunidade e diga: basta! Vamo parar de inventar coisa inútil, tanto talento, gente! Vamos aplicar tipo na popularização da energia solar, numa caneta bic que não estoura na bolsa, numa função search pro chat do whatsapp.

Vamos parar de perder tempo e vamos usar nossa vida pra resolver alguma questão realmente urgente, séria e importante pra sociedade.

Tipo esse post, por exemplo.