Nada como um natal americano

Se tem alguma aspecto do american lifestyle que eu já posso dizer com certeza que eu vou querer levar pela vida afora é a empolgação que esse povo tem diante da chegada de um feriado temático.

Valha-me deus! Tem umas coisas… Sério. Só eles.

Seja Halloween, Thanksgiving, Natal – tô pra ver ainda dia dos namorados, que vai ser do balacobaco, com certeza – esse povo cria uma expectativa e se prepara pra chegada de feriado como um brasileiro se prepararia pruma final de copa do mundo. No maracanã. Contra a Argentina. Com show de abertura do Luan Santana. E a Adriana Lima sambando nua em cima da taça.

Eu não tô exagerando. Vem comigo.

Essa malemolência toda começa lá pra outubro, outono, as folhas começam a amarelar, muda assim o clima da cidade.

Batata! TODOS os estabelecimentos em TODO o Estado de Massachusetts (disclaimer: acredito às 12 ruas ao redor da minha casa a representatividade do estado de Massachusetts) enfim, de repente TUDO tem temática de Halloween. Tudo.

Me dá um objeto.

Café? Tem, Starbucks (epa!) Pumpkin Latte.

Batatinha? Ahan, Pringles sabor Pumpkin Pie.

Cerveja? Iiiihhh. Tipo umas 15.

Comida pra cachorro? Opa, Trader Joe’s Dog Pumpkin Treat.

Enfim, dá pra ver onde eu quero chegar.

Todas as decorações, mas eu digo TODAS, de TODOS os lugares é laranja, com abóboras, com folha secas e com bruxas de pano penduradas num fio de nylon com um indefectível cheiro de “estive em um porão com naftalina desde o último Halloween”. Tweets, memes, discussões fervoroooosas no Facebook sobre qual será A ideia mais genial de fantasia, meses de planejamento. Tem casal que planeja fantasia em dupla, briga, mas daí espera pra terminar depois do Halloween só pra não zoar o esquema  da fantasia. True story.

Enfim, o povo vive aquilo com uma fervorosidade que eu, que só tinha ido num Halloween chumbrega na Cultura Inglesa da Savassi aos 11 anos, táva ali fazendo lanterna de abóbora como se não houvesse amanhã.

Eu sei, eu sei, tem um meeeega ponto capitalista dessa história toda, que era pra ser uma tradição, mas se comercializou, e perdeu o sentido, e que o mundo perdeu os valores, esses milllenials de novo, zoando tudo que até então era sólido e moral, eu tô sabendo disso tudo e concordo demais que o negócio pode descambar prum consumismo bizonho. Mas também pode ser só bacana e você pode só curtir aquela empolgação toda e não precisa necessariamente consumir mais, só prova ali o cafezinho pumpkin latte em vez do cafezinho normal não-pumpkin-latte de cada dia.

Pronto. Não tem que se flagelar pensando no carbon foot print do seu Halloween. Pode ser bem inofensivo, só bacana mesmo.

Enfim, depois do Halloween a coisa dá uma esfriada por um, dois dias, mas quando você ainda tá se acostumando ao sabor das coisas pumpkin-free, vem o Thanksgiving e te dá um tapa na orelha! Eu infelizmente não estava em Boston city pra viver esse feriado como deus manda, mas viajei umas 3 semanas antes do feriado e te falo que a essa altura já táva pipocando peru de papel-machê pra tudo quanto é canto.

E aí, quando eu voltei, era a vez do Natal.

Ahh, o Natal.

De cara eu posso dizer que sempre foi meu feriado favorito. Sempre pirei em como o clima da cidade muda, junta aquelas luzinhas pela cidade, com aqueles reencontros com família de longa data, com aquele texto na rádio sobre viver a vida intensamente narrado pelo Pedro Bial, com uma antecipação pelo mês de férias no Espirito Santo; uma época do peru (ha-ha).

Mas te falo que o Natal aqui é outra história – primeiro que tudo relacionado ao Natal foi obviamente pensado prum clima frio, desde o pinheiro, ao Papai Noel todo agasalhado, à ceia mega calórica (sacanagem é estar de biquíni em Guarapari no dia 25 depois de ter jantado a “farofa dos 18 ovos” do meu pai na noite anterior). Então de cara a vibe geral do Natal já faz muito mais sentido.

E daí além disso tem a empolgação americana com feriado que culmina totalmente no Natal e faz com que as pessoas cubram a casa inteira de luzinha amarela e Rudolph de neon num nível que provavelmente dava pra iluminar El Salvador por um mês.

Tá todo mundo tão no clima que rola um cheiro constante de biscoito de canela no ar, uma falta de vergonha consensual pra usar suéter de rena e um loop infinito do CD de Natal da Mariah Carey na farmácia na esquina da minha casa. É lindo.

Então fica a dica, chegando o Natal, se der, dá uma chegadinha ai em Boston e pira comigo nos americanos high on christmas. E se não der, tá de boa: prepara aquela bela rabanada de panetone da Ana Maria Braga, agradece sua tia de coração por mais um sólido ano ganhando meias da Topper e arremata cantando em coro “Como vai você” com seu primo bêbado na reprise do especial de Natal do Roberto Carlos.

 

Se eu aprendi alguma coisa com os americanos, é que o que vale mesmo é a empolgação.

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