Revising some concepts – or “and you thought you knew what a resume was”

So, let’s revise some concepts today folks, because there are some stuff we believe to have a universal meaning but in reality they don’t. At all. So it’s good to clarify that some things might exist in different countries around the world, but their purpose might actually differ quite a lot from one country to the other.

Let’s take the example of a resume.

Back to basics: what IS a resume? One could think that it is a document in which one sums up one’s professional experience and academic background in a way to try and convince those nice people from HR that you’re the best person for a job open they’ve posted. Are we confortable with that? Great. So that means that a resume is a fundamental tool for someone who’s looking for a job. Hell, I’d say THE most important tool.

But that’s not really what a resume is in the US.

Oh my dear American friends, once again you surprise us all by picking something that was perfectly functional and practical in the rest of the world and ta-da! Play a bit with the purpose of it. Kinda in the way you do it with the metric systems. Really funny, you guys!

Ok, so here’s the deal: it’s not like people don’t ‘know’ resumes in the US. They do and they know it’s something you use when you’re looking for a job. But its purpose here is not to help you find a job. Rumor has it that actually no one, in the entire history of America has ever landed a job just through sending a Word document to the HR department. Ever. The purpose of the resume around here is to make it so the person who’s looking for a job feels productive and materializes his/her job search.

It’s an instrument to pacify unemployed folks. That’s all.

And it’s not just that, because you don’t have to only send the resume, which would take you 15secs between writing an email and attaching a doc to it. Na-an.

“They” want to guarantee that the unemployed occupies a large slice of his/her time in this task. Maybe they think that the more time you spend on the process of sending out a resume, the soother you’ll be, happy to be actively doing your job search.

So not only do you have to prepare and send your resume, but you also have to write a personalized cover letter, explaining why you specifically have an interest and would be “a great fit” for that company.

And you add to that a questionnaire that was carefully crafted by smart, but sadist psychologists, aimed at leaving the applicant in a complete state of agony and despair. An average questionnaire of this type will not only frequently ask you completely irrelevant questions (sign? Summer or winter? Allergic to nuts? Favorite Harry Potter book?) but it will also make you fill out, by ‘hand’ all the information that is already stated on your resume.

WHAT?

“Yep, you got it right, dear applicant: please type in your entire CV again in this lovely 12 step registration program we’ve created. And don’t worry. We’ve made sure that it’s done in a format that will make it really annoying for you to copy-paste. Thank you so much for the interest in our company and good luck!”

And in the end, the question that is just impossible to be answered correctly by 90% of Brazilians: “Do you consider yourself Latin American, African descendent or European descendent”? Uhmmm… Is there an “All the above” option?

So you’ve learned through any LinkedIn group chat or blog entitled “7 ways to land a job in the US – guaranteed” that the chances you’ll get a job through that process is about the same as bumping into Beyoncé in the subway, but that’s one of the few things you have in hands, so you still do it.

At this point you might ask me: so HOW does one get a job in the US then?! Ahh, my dear friends, the word is networking. You have to go to every kind of event remotely related to your field of work, stick a name tag on your chest that sadly brands you as “Camila – unemployed” (which you will always forget to take it off and will only hours later understand the sad looks people were throwing at you at Starbucks) and chat around as if you were the LeBron James of social skills.

My goodness, is there anything less pleasant than this situation? It’s like a job fair meets speed date, in which you have to keep thinking on what to say next, how to impress everyone with your memorized elevator pitch and still sound amazing and cool.

Why would they make people go through that? I say let’s go back to the old good resume, great professional background sum up, objective way to see if someone will fit a job or not. Sounds pretty effective to me!

Anyway, gotta go know, just bumped into Beyoncé at the subway and she’s come over to help me send some resumes. Wish me luck.

 

 

Advertisements

O dia em que eu descobri que Belo Horizonte é Nova Iorque


Belo Horizonte é uma cidade bacana pra se morar quando se é criança. Ela tem ali seus pontos fracos, como qualquer lugar, mas é um lugar legal. Rola um clima de cidade grande mas ao mesmo tempo tá tudo logo ali meio perto; tem sempre padaria com Todinho e pastel de queijo no caminho entre sua casa e a escola de balé; tem capivara na lagoa da Pampulha; tem voo direto pra Cabo Frio. Enfim, vantagens das mais variadas.

E daí você vai crescendo, viaja um pouco aqui, vai numa exposição bacana em SP acolá e BH começa a ficar pequena. Você percebe que acaba indo sempre nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, fazendo a mesma coisa: tomando cerveja, petiscando amendoim e trocando ideia sobre a questão 2 da prova de geografia. E você começa a fantasiar sobre um mundão maravilhoso lá fora, onde pessoas realizam feitos grandiosos, fazem programas incrivelmente legais e variados e tem papos geniais sobre o futuro da humanidade.

Tem uma parte sua que tem uma invejinha de quem tem a sorte de curtir uma vida espetacular neste outro mundo. Mas tem outra parte que já se satisfaz só de pensar que ele existe.

Daí você sai de BH.

No meu caso, eu fui pra São Paulo, e, adivinha só: tapa de luvas, por supuesto.

Spoiler alert para quem nunca morou em SP. Lá também as pessoas estão sempre com os mesmos amigos, nos mesmos lugares, tomando cerveja breja, petiscando amendoim e discutindo a questão 3 da prova de sociologia. Só muda um tiquim o sotaque mesmo.

Então aquela sensação gostosa de “o mundo é um bufê de comida japonesa, e eu só tenho que sair de BH pra curtir a vida adoidado” já foi por agua abaixo. SP pode ter mais opções de coisas pra fazer sim, mas na essência não deixa de ser uma versão maiorzona de BH.

Daí você sai de SP.

Ok, ok, não moro em NY, mas moro em Boston, que tá a uma distancia relativamente pequena de lá (mais perto que BH – Cabo Frio, pra se ter uma referência), fui algumas vezes de visita na cidade no último ano e fico mais por dentro do que rola na cidade desde que moro aqui.

Acho que quando morava em BH, pensar em NY era como ter 15 anos e olhar pro seu primo bacanão de 27 achando que ele era a pessoa mais legal do mundo. Você sonhava em um dia chegar lá e, quando chegasse, tudo seria fluido, lindo, perfumado e bem sucedido. Até que você chega aos 27 e vê que não tem nada disso.

Ainda em BH, lembro de abrir o Jornal da Pampulha – um semanário grátis com as últimas noticias e frissons da vida belo-horizontina – no domingo de manhã, chegar à seção de “Casamentos” e ter, naquele momento, a certeza de que BH era a cidade mais provinciana do planeta.

Porquê? Bom, a descrição dos casamentos no jornal ia mais ou menos assim: “A bela fulanita, filha do juiz fulanito e da jornalista fulanita brilhou em um espetacular desenho da maison Aguida Chaves em suntuosa celebração no Buffet Catarina neste sábado. O descontraído noivo…”. Enfim, segue uma elaborada descrição de como os noivos “abrilhantaram a pista” na “recepção digna de um filme de Hollywood”. Pegou um tom meio cafona e um bairrismo excessivo?

Aquilo pra mim era a prova máxima, o “I rest my case” de que, tristeza do destino: BH era, de fato, incrivelmente provinciana e, por tanto, um fim de mundo. A seção de Casamentos do Jornal da Pampulha me garantia de que nada de fantástico, incrível e maravilhoso poderia acontecer em BH.

Pois eis que, já em Boston, pra mostrar toda minha erudição e interesse pelas notícias do mundo aos meus vizinhos do prédio, eu começo a assinar o jornal New York Times do domingo.

E eis que no domingo passado, às exatas 10:37AM, sentada placidamente na poltrona da sala, café com leite em mãos, abro a seção Sunday Styles do jornal. Minutos depois, chego à pagina 11.

Neste momento, olhe bem, me deparo com o seguinte texto, em tradução livre: “A jovem fulanita, filha de fulanito, sócio na firma de advogados x e da fulanita, diretora de eventos da Universidade x, se casou neste sábado em uma belíssima cerimônia com Ciclanito. Um seleto grupo de elegantes convidados compareceu à idílica recepção ao cair da tarde na propriedade do avô da noiva, um importante magnata da indústria local…”

Oh. No.

Neste momento me dei conta de que era questão de traduzir o New York Times pro português, trocar a tal “firma de advogados x” por “MRV Engenharia” e de repente Nova Iorque se mostrou tão bairrista quanto… BH.

Por um lado, uma tristeza: nada disso de mundão lá fora pra ser descoberto. Esse sentimento provinciano é tão meu quanto do sujeito que mora num loft bacana no Brooklin e que deve ler ressabiado a página 11 do Sunday Styles todo domingo.

Por outro, um alívio: não tem essa de se preocupar em ir morar em NY, Paris ou Singapura pra poder viver uma vida fantástica como deus manda. Esse tal “mundão maravilhoso” é a gente mesmo quem faz, dentro do nosso próprio mundinho provinciano mesmo, onde quer que seja.

Em BH, SP, NY ou Cabo Frio.

So what are we doing today?

Having people visit you is the best when you’re living abroad. It’s a way to have a tiny peace of your hometown, of your memories, your history, back into your life, even if just briefly.

And if you talk to anyone who lives abroad and who’ll tell you that they’re super missing their hometown, they’re dying to go back to their country, their culture, that they’re constantly torn apart about living so far away, I’m pretty sure this person would have no problem living wherever if he had his family and best friends with him. So if you’re Brazilian you may say that you miss spending New Years on a warm weather, having the best food on the planet and watching morning shows where a foam parrot is one of the co-hosts (true story) but these are just details, what we really miss are the people.

So when someone comes to visit you it’s heaven, because finally you go the “I’m living in a cool place that I love + I’m surrounded by the cool people that I love”. It’s all-good.

Almost.

Some visitors can be a bit of a pain. And not my visitors in partcular, or your visitors, just visitors. Conceptually. I mean you and I can potentially be the painful visitors at someone’s house at any given time. You never know.

The first indicator of the painful visitor is when he asks you how the weather is going to be like in the city when he’ll be around. In 3 months. Well, unless you’re an astronomer, weather expert or maybe some sort of Scientology master, you have no idea, obviously. So what you’ll do is what the person should have done herself, which is “Google > weather Boston April”.

You shouldn’t have done that. It’s gonna be just downhill from here.

From this moment on what follows is an unstoppable flow of questions: you’ve suddenly became a guru for all things Boston (or whatever city). Be prepared to have random, pointless questions being thrown at you during the entire visit.

A typical example: you’re going go to a restaurant that you haven’t been before and the visitor might ask you “Where’s the restroom again, dear?” or “Are the servings here too big?” Hum.

He’s also going to ask you information on buildings, monuments and construction sites in general, just any average piece of engineering, like “What’s that kinda tall beige building over there?” And you have no idea. Yes, you have been living in this city for 2 months and NO you don’t know the history and purpose of existence behind every little thing ever to be built in the city. I mean, I’m pretty sure that person wouldn’t know that kind of information about the city where he’s been living his whole life either, but still, expect a raised eyebrow and a concerned nodding reflecting your “lack of knowledge, therefore lack of minimal interest about the city you’ve decided to move to”. And yeah, they do manage make you feel a bit guilty.

A rare, but real phenomenon one can expect when receiving foreign visitors is the fact that when some people are staying at a friend’s house, instead of a hotel, they suddenly become incredibly lazy. They do not prepare themselves for the trip at all, no research (again, they didn’t even Googled the weather) – they expect you to be their private tour guide, 24/7. These visitors are the ones who just follow you around, suddenly unable to understand street signs or subway maps. Their first question when they wake up is usually “So, what are we doing today?” expecting you to present an elaborate itinerary for the day. You almost feel compelled to leave the house with one of those shiny umbrellas Chinese tour guides parade around with so you don’t lose a friend or 2 on the way.

A recurrent behavior – maybe that’s more Brazilian, though – is that the person can be staying with your for 6 months, he will inevitably remember this thing he had to bring back for his cousin say, 5 hours before he flies back. And yes, you’re going to have to rush outside, cross the entire city to find that thing, drive like crazy to the airport and bribe the airline intern at the check-in so your friend doesn’t miss his flight (cuz all you want to do at this point is to go back home and be ALONE!).

There’s also refusing to accept that some habits are different in the country they’re visiting. In case of Brazilians visiting the US is the tipping system. In Brazil we don’t usually tip – at least not so often as here – so Brazilians feel that if they round the bill up, they’re more than ok with the tipping, while they’re actually “tipping” by… 2%.

When I was living in Spain, my Brazilian visitors would usually consider Spanish the same language as Portuguese. They’re similar, but trust me, they’re not the same. So they’d just speak Portuguese, adding up a bit of an accent and throwing a “Gracias” now and then. So it would happen that they’d order wine and got a mojito, a roast chicken and got a chocolate brownie and stuff of the sort – which, however, would never convince the motivated visitor to switch to English, not even when the waiter did.

But anyhow, it’s all small stuff. Anecdotes. Good memories actually. Having someone visiting you IS actually always a good thing… always.

I’m just a grumpy foreigner missing spending New Years in a warm weather…

 

We’ll always have Ikea

So, a while ago I was introduced to this concept of a non-place. The non-place is, well, ok, any place that kind of gives you a feeling that you could be, in that moment, in any given city of the world, from Boston, to Poughkeepsie to Paris. A typical non-place could be a McDonald’s or a Starbucks – or a Brazilian barbecue restaurant chain, by the way. Anyway, any place that has been specifically designed to make you feel like “hum, have I been here before?”. It’s a place where you strangely feel at home no matter where you are in the world and you know exactly what to expect – or which flavor of over-priced coffee you’re gonna order.

Ikea is a lot like that and once you get into the dynamics of moving countries every few years, it becomes a place you get used to visit.

For those of you who don’t know Ikea (first: jeez, in which planet do you live?! and second: I envy your life a little bit), it is this huge Swedish company that makes design furniture at a very affordable price and it’s a life-saver for a whole generation of European youngsters who are in the long process of discovering what they want to do with their lives and are working as minimum-wage baristas meanwhile.

Basically, if you a) live in Europe or in some parts of the US; b) do no not intend to live in the same city for more than 5 years; and c) have a ridiculously low salary/are unemployed – in my case, check… check! – Ikea is heaven.

But – ha, there’s always a ‘but’, my friend – the whole process of going to Ikea is extremely painful, every time. My guess is that the owner of Ikea thought it was just too easy to allow you to buy Pinterest-looking furniture for a thousand times less the price you’d pay in a regular Pinterest-looking furniture shop and decided to mess up the process a little bit, just because.

So here’s the joy and pain of a typical trip to Ikea:

Uuuup and running, cowboys!! An Ikea day starts earlier than you wish. Oh, and here’s the thing: you’ll initially plan the trip to last 4, 5 hours, tops. Ha. Ha. Ha. Not really. It can be that you’re looking to redecorate your bedroom or your entire 3-story-house, a trip to Ikea will, necessarily, take you at least 9 hours. Trust me.

You’ll probably need to hire a van or ask your dodgy friend for his huge pimped SUV you’ve always made fun of. Specially if you’re buying bulky stuff and want to keep a minimum of back vision when you’re driving back home.

The habitual Ikea visitor knows that it is absolutely crucial to take some cereal bars/protein shakes for the “ride”, so you won’t end up eating a foam-flavored 1$ hot dog (though a proper lunch at Ikea is quite decent and still frightfully cheap).

Now, to follow one’s route through Ikea’s different sections is to do a truly anthropological exercise, as it can bring to surface the deepest reactions ever to be experienced by the human race.

It starts as something exciting: you’re decorating your house, super happy, sharing every picture frame with your Snapshat audience (aka your best friend, your younger sister and your own dog’s profile). You grab one of those cute Ikea mini-pencils and write down every reference in a super organized way, cuz you’re willing to make this a GREAT Ikea trip. Everything is running smoothly.

After a while, frustration emerges. There are too many options, too many people, too much noise, you lost track of which sofa color you chose 4 sections ago and you don’t know which dinning chairs would go with it; the wardrobe you like is super expensive but the cheap one is super ugly; and do we even have space for that sofa?… So you just paralyze, breath into the Ikea yellow bag for a while and realize that if you’re completely incapable of making basic furniture decisions, “how the hell are you leaving home to live with your part-time barista friend”?

Then tiredness hits. It’s that moment when you realize you’ve been at Ikea for 4 hours and there’s nothing at your trolley but a bunch of mini pencils, a picture frame -highly praised on Snapshat- and a couple of vanilla scented candles. You move on to the mattress section, lie down and relax. Take a deep breath. You’re just beginning.

Feeling re-energized, you run quickly through the “planned kitchen” section, which is the boring one, and by the way if you have enough money to have a planned kitchen what the hell are you doing at Ikea anyway, and you recover the “let’s get this over with” feeling. Great! You’ve reached the cool deco section, where you’ll find everything cute and slightly unnecessary you’ll ever own, like printed paper napkins and submarine-shaped ice cube trays.

Congratulations. You’ve successfully reached the last, but definitely not least section. The warehouse.

Here’s where the real challenge lays and where I usually lose my positive-zen attitude despite all the counseling I can get from my ‘5min a day’ meditation app. It’s the moment when you combine 7 hours of walking around discussing the importance of coasters with your future room-mate with the physical distress of having to carry a wooden bed structure out of a 6 foot shelf.

It’s not easy.

It’s like that feeling of being in a plane going through rough weather and thinking “Why the hell am I here? Why? I never really even wanted to go to Puerto Rico, I was tricked by my cousin’s-ex cool Instagram photos. I am never getting in a plane again, EVER”. And then the moment goes by and before you know it, you’re back on a plane again.

As you’ll be back to Ikea.

Anyhow, there’s no turning back now. You use your last slurry of energy, pick up all the furniture, pay for it and grab a pack of cheap frozen smoked salmon at the food shop since you’re at it.

That’s it. It’s done.

No. Now THIS was actually just the beginning. See what Ikea just did?

What’s to follow is a marathon of loading your friend’s pimped SUV, bringing everything up to your apartment and making enemies on your first day ever in your new building for blocking the elevator for 40min, unpacking everything and discovering that you could actually have built a new house from the amount of carton remaining on your living room floor, assembling furniture that looks way easier to assemble than they actually are, grabbing a beer and making yourself a smoked salmon sandwich to chill, wearing your finger off to the bone from insisting on trying to screw stuff without proper tools, ignoring that you found some screws still inside the box AFTER you’ve finished assembling your dinner table and remembering 4 absolutely essential items that you somehow forgot to buy and for which you’ll have to go back to Ikea. Again.

It’s hard. It’s tiring, it’s a pain and from now on you’ll notice how 87% of every friend’s house you’ll visit will have the same Poang chair you found oh-so-creative to decorate your living room.

But then you move again.

And you need furniture and vanilla scented candles again. And you’ll go back to Ikea. Again.

Ah, this great mystery that binds us…

Imagine this: you’re walking down the street, in any given country that’s not the US (or your home country, for that matter) and there’s a group of Americans/’place-your- nationality-here’ coming towards you. Or a couple or just a guy, and old lady, any American, under any circumstance.

Here’s what’s gonna happen: you’re gonna feel this inexplicable, but deep certainty that that person is American.

Automatically, you’ll kind of lean towards that person when he or she passes by, trying to eavesdrop on what he’s saying to his friend, because you want to prove your theory. Even if it has absolutely no impact in your live. I mean, you’re not even going to talk to him, but still there’s something that moves to get weirdly close to him and say… “Yep, I knew it! He IS American”.

I know, this sort of phenomenon seems completely pointless, but you got to admit it, it’s a bit fascinating. It’s a mystery that binds us all foreigners when we’re abroad. We’ve got to look into it.

So let’s cut to the chase: first of all, you’re not the only person able to identify comrades from your home country when you’re abroad. I can do it, all your friends can do it, you’re oddball cousin can do it. Everyone does it. We’re all kind of born with it. Apparently our brain has some tiny little area, some small corner dedicated specifically to “identify-people-from-our-home-country-when-travelling-abroad”. Crazy stuff. But still, fascinating.

Second, this is not a “skill” exclusive to Americans. I understand you might have theorized about the fact that there must be something tangible that every American has common but I’d say there actually isn’t. I’ve tried to find that something about Brazilians and my conclusion is that if there is anything we share is maybe the skill of knowing how to get the most personal benefit out of a situation. And that’s not something you can see when someone’s just walking down the street.

And let me tell ya, from my own personal research just as an American can spot another from a distance, so can a Spaniard, Koreans, the British. And I’m quite sure Russians, Argentinians, and Papua-new-guineans can probably do it too.

Ok, so let’s try and understand this: why the hell has our brain decided to dedicate a couple of neurons for such a crook idea? I mean, we could be reading minds with those neurons, learning to play chess, brilliantly investing in the stock market and making tons of money, but hey, no, we’re out there identifying Americans or Brazilians tourists abroad and for what? We got to find a purpose for this.

My guess is that our brain is just trying to look after us, and that this “skill” is actually useful, we just need to learn how to use it properly. So I thought about it (yep, that’s the level of free time I have) and I figured we have two ways in which we could put this less then conspicuous “skill” to use:

The first thing is in case you’re a tourist abroad and you actually want to find someone who speaks your language, gets your culture and knows where to find a burger joint within a mile (or a Brazilian barbecue place, or a Biergarten, or a pub or whatever food spot is typical for Papua-new-guineans).

In this case, you don’t need to be randomly asking for information on the streets and feel stupid because locals don’t get your – so beautifully crafted – French accent.

Use your guts! Go to a busy street and just start to observe the crowd. In a couple of minutes you’re brain will tell you “wow wow wow – here comes one” and you know can directly approach this person with a “What up, bro?” and feel at home, and get all the info you need and go together to the burger joint and bitch together about how French people have a problem understanding your beautiful accents and become BFF. Cool.

The second thing is in case you don’t want to be recognized and walk around with people from your own nationality, because you’re spending your holidays in Paris and you think that your blasé-born-and-raised-in-Montparnasse look will make you mingle with locals and that’s glamorous and awesome. (By the way, this feeling of “OMG people from my home country are soooo embarassing when travelling abroad” is also quite universal). In this case, just stare at the ground and when the sign of “yaiks – fellow countryman spotted” comes in, just say some words in a random language and walk faster. There you have it, collision avoided.

So that’s it folks, mystery solved. There’s nothing about collective sub-conscient, nothing about an American (or Brazilian, or…) feeling of belonging that surpasses any borders, it’s not a magic connection between people, Sense8 style.

It’s jus tour brain, doing what has it has to do. Reacting in a basic instinct to prevent us from embarrassing ourselves when we travel. That’s all.

 

 

 

 

 

 

American compatibility check-list

The US are a great country. Beautiful landscapes, super diverse people, awesome on turning any subject into a reality TV program and all that. But it can also be kind of, let’s say, polarizing. It’s obvious that each and every country have their own their culture, people have specific habits and behaviors, but there are some stuff about the American life that can shape your daily life in such a way, that you just have to have them in mind if you’re thinking about ever living in the US.

Because once you’re here, it’s gonna be hard to try and dodge from these stuff. And it’s not bad stuff. It’s just kind of small details.

So here it is: after 10 months of US life, my own “American life compatibility check-list”! You’ve been advised. Now act at your own risk.

  1. TV: Definitely, number 1 in my list. A tricky little object that will cross your path about 17 times a day. And how, you might ask, can that be if you wouldn’t even go to 17 different places in one day? A-ha. That’s it. You don’t have to. In an average bar/restaurant/bank/supermarket/line for any purpose you will encounter about 3 TVs turned on at the same time. The content? Random. Can be the news, can be a college basketball game, highly likely a Kardashian will pop up at some point. In US bars, TV is the new wallpaper.
  1. Baseball cap. Ok, just to be clear, you don’t have to like to wear a baseball cap. I mean, if you do, great, it will help you make friends and pass as a local, specially around the Boston area. But you actually just have to be ok with others using baseball caps. All the time. At restaurants, bars, movie theaters, class, concerts, you name it. It might sound strange that this is even listed here, I mean, who cares what people wear in their heads. But when there’s such a high density of baseball caps surrounding you and in places (and times of day) that you wouldn’t expect them to be, you’ll have to embrace that some how. So if baseball caps annoy you, maybe try Canada.
  1. Extremely social people: This is actually one of the things I love the most about the US life, but if you feel harassed when strange people try to make a conversation with you or make a comment on what you’re saying to a friend at the bar, you better not move here. If you do, you have to come prepared to listen to random comments from random people on the streets – always very nice, by the way. They’ll usually be something like “nice shoes, bro”. And warning: you will soon be making them too.
  1. Owning Car: Boston/Cambridge are one of the few urban areas that I think one can actually get around quite well without having a car. But once you’ve left the city, my dear friend, you’ll necessarily need a car. When able to chose, pick the biggest SUV available, it’s what you’ll encounter on the highways and, trust me, it’s quite intimidating when you’re in a Smart.
  1. Take 16 pay for 12 (aka: Bulk buying): Unless you have a very strong stand against stocking toilet paper for one year/ buying milk in gallons/getting tuna cans by the dozen, you’ll fall in love with this concept. From my experience here, you can either pay a lot for a tiny can of organic-bio dynamic-gluten free Nordic see tuna or next to nothing for a case of 24 family size cans of “this is probably tuna”. I usually go for the latter. You’re gonna become a master of inventory management AND learn at least 15 new ways of eating canned tuna.
  1. There’s now mild indoor temperature: I read a story here the other day about how places like shops, hotels and restaurants manage their air conditioning in the summer: apparently, the fancier the place, the chillier the air should be. Same thing with winter: the nicer the place, the more likely you’ll feel you’ve just landed in Turks and Caicos. Not actually truth though, Wholefoods is usually as chilling the dodgy Korean supermarket around the corner. Expect extreme indoor temperatures everywhere.
  1. The Kardashians. Any of them: You think you see a lot of them in your home country? Ha! That’s just the tip of the iceberg! Be prepared to see one of them in every magazine cover while you wait in line at CVS and on the – many! – TVs around the city, whenever it’s not college basketball season. They’re harmless, though.
  1. Politics: It’s basically a constant theme, since whenever a president is elected it’s virtually the time to start the campaign (and media coverage) for the next term. I do advise watching the debates, though – way more entertaining then Netflix.
  1. Liter sized cup of coffee. Please note that I don’t mean you have to like to drink liters of coffe a day. The relevance is not so much on the drink itself, but in the fact that one should have, invariably, a large disposable cup in one’s hands. Doesn’t have to be filled with coffee – or you don’t have to drink all of it. It’s more of a personal item, something you’ll wear, like a purse. To fit in from the beginning I recommend you boarding the plane already holding one of those, it will help you mingle from minute one. And once you’re at it, I not put on a baseball cap and start a conversation with the stranger sitting next to you? About… politics, maybe? Welcome to America, my friend.

 

 

 

 

Como o marketing pode salvar o seu 2016. Em 4 passos

Dia desses chuvoso, fui procurar minha lista de metas pra 2015, achando que aquele pedacinho de papel maltrapilho teria se perdido em algum lugar no trajeto Barcelona>SP>BH<SP>MVD<SP>MIA>Boston mas eis que, ao contrário do diploma do mestrado, aquele safado chegou inteirinho até aqui, e táva ali se esbaldando na minha gaveta de papéis, esfregando na minha cara aquela listinha auspiciosa de metas pro novo ano.

Bora revisar essa lista.

Então, foi muito bom não. Das duas uma: ou sou muito incompetente pra cumprir metas – o que eu acho que não é o caso, porque tô super cumprindo o objetivo de assistir 14 episódios de Mad Men em 4 dias – OU, pega o insight!, eu tô precisando é mudar minha maneira de ES-TA-BE-LE-CER metas. Rá!

“Um mês sem álcool no ano”!??! Sem cabimento. Então tô aqui pensando comigo, “Preciso estabelecer metas mais efetivas pra minha vida. Como posso fazer isso?”.

E, insight de novo! – é muito tempo livre – bora estabelecer metas pessoais do ano como se estabeleceria um plano de marketing!

MEO DEOS!

Então eu fiz isso e queria dividir com vocês, porque afinal a gente aprende técnicas e matrizes e ferramentas tão compleeeexas (LOL) na faculdade pra que? Só pra vender xampu? Vamos ampliar a utilidade disso tudo é hoje!
Se você achar uma boa, tenta esquematizar suas metas desse jeito. E olha como você já vai matar de cara a meta de “fazer um curso online de marketing pra impressionar meu chefe babaca na reunião da segunda de manhã”. De nada.
BORA LÁ:

PASSO 1: ANÁLISE DOS 4Ps + BRAINSTORMING

No marketing, a análise dos 4Ps é o ponto de partida da estratégia, vale pra analisar os aspectos mais importantes de uma marca e da concorrência: Produto, Praça, Preço & Promoção (“Praça”!? É, acostuma que essas ferramentas de marketing sempre forçam no nome dos conceitos pra ficar uma sigla bacana. O que eu posso dizer? É marketing).

Pro caso das metas eu estabeleci os 4Ps dos aspectos mais importantes da vida: Produtividade (trabalho/estudo), Pessoas, Prazer, Pessoal (aquelas metas mais amplas, que entram na sua lista de ano novo desde 2006) e fiz umbrainstorming de metas pra cada um, tipo associação livre, fui jogando as ideias mesmo sem filtro pra cada um dos Ps.
Ah, eu acrescentei um P que é pra “Pára de fazer isso. Agora”. Fraga só:

4ps

Boa! Vamos partir dessas metas pra seguir com as análises:

 

PASSO 2: MATRIZ BCG

Então, essas matrizinha porreta normalmente é usada pra analisar o tamanho e a evolução dos mercados nos quais uma empresa atua e qualé a posição de cada uma das suas marca em cada um desses mercados. Basicamente, te ajuda a definir prioridades de investimento.
Daí aqui eu peguei o mesmo princípio mas mudando um tiquim, botando os seguintes critérios: no eixo Y as coisas importantes (tipo, “tem que fazer”) e no X, as coisas legais (“quero muito fazer”). Daí é ir avaliando e colocando as metas lá de cima na matriz. (Sim Camila, poupar dinheiro É mais importante que zerar o Netflix).

Tipo:

bcg

Daí já da pra ver que tem que focar mais nas metas do quadrinho lá de cima (coisas importantes e legais) e parar de fazer de uma vez por todas essas coisas que não são nem importantes pra nossa vida nem são legais de fazer mas que a gente insiste em fazer eu sei lá por que.

 

PASSO 3: ANÁLISE SWOT

Num plano de Marketing, aqui você analisaria as fortalezas e fraquezas específicas da sua marca e as oportunidades e ameaças gerais do mercado. Pega meta por meta do que voce definiu lá em cima, começando pelas prioritárias e vai botando nesse ixquema. Isso vai te ajudar depois a montar um plano de ação bacana, antecipando as dificuldades e o que pode te ajudar a cumpri-las.

swot

Güenta comigo, tamo quase lá!

 

PASSO 4: OBJETIVOS SMART

O pulo do gato! Agora você vai pegar cada meta princípio, já priorizada na matriz e devidamente analisada em todo seu potencial e dificuldade e transformar tudo em metas SMART!

YEAHHH!!

Você quer mudar de emprego agora e vir pro mundo do marketing? Eu sei. Vem pra Boston não, que tá complicado. Mas olha só como se faz: a ideia é garantir que cada meta seja:

Specific, Meaningful, Action Oriented, Realistic, Timely. (não falei? Forçando os nomes dos conceitos de novo. Mas a sigla fica bacana).

smart

 

DONE!

Ahhh muleque! Eu fiz essa análise pra cada meta e depois coloquei tudo num excel, considerando todas minhas tarefas do dia e minhas horas livres e falo pra vocês que tá tudo mais claro, vai rolar post em dezembro de 2016 colhendo os louros do meu mega planejamento do ano!!! Metas alcançadas!! Glória, fama e fortuna!! Ra ra ra!!

Reenvio esse post pra Dilma?

Nada como um natal americano

Se tem alguma aspecto do american lifestyle que eu já posso dizer com certeza que eu vou querer levar pela vida afora é a empolgação que esse povo tem diante da chegada de um feriado temático.

Valha-me deus! Tem umas coisas… Sério. Só eles.

Seja Halloween, Thanksgiving, Natal – tô pra ver ainda dia dos namorados, que vai ser do balacobaco, com certeza – esse povo cria uma expectativa e se prepara pra chegada de feriado como um brasileiro se prepararia pruma final de copa do mundo. No maracanã. Contra a Argentina. Com show de abertura do Luan Santana. E a Adriana Lima sambando nua em cima da taça.

Eu não tô exagerando. Vem comigo.

Essa malemolência toda começa lá pra outubro, outono, as folhas começam a amarelar, muda assim o clima da cidade.

Batata! TODOS os estabelecimentos em TODO o Estado de Massachusetts (disclaimer: acredito às 12 ruas ao redor da minha casa a representatividade do estado de Massachusetts) enfim, de repente TUDO tem temática de Halloween. Tudo.

Me dá um objeto.

Café? Tem, Starbucks (epa!) Pumpkin Latte.

Batatinha? Ahan, Pringles sabor Pumpkin Pie.

Cerveja? Iiiihhh. Tipo umas 15.

Comida pra cachorro? Opa, Trader Joe’s Dog Pumpkin Treat.

Enfim, dá pra ver onde eu quero chegar.

Todas as decorações, mas eu digo TODAS, de TODOS os lugares é laranja, com abóboras, com folha secas e com bruxas de pano penduradas num fio de nylon com um indefectível cheiro de “estive em um porão com naftalina desde o último Halloween”. Tweets, memes, discussões fervoroooosas no Facebook sobre qual será A ideia mais genial de fantasia, meses de planejamento. Tem casal que planeja fantasia em dupla, briga, mas daí espera pra terminar depois do Halloween só pra não zoar o esquema  da fantasia. True story.

Enfim, o povo vive aquilo com uma fervorosidade que eu, que só tinha ido num Halloween chumbrega na Cultura Inglesa da Savassi aos 11 anos, táva ali fazendo lanterna de abóbora como se não houvesse amanhã.

Eu sei, eu sei, tem um meeeega ponto capitalista dessa história toda, que era pra ser uma tradição, mas se comercializou, e perdeu o sentido, e que o mundo perdeu os valores, esses milllenials de novo, zoando tudo que até então era sólido e moral, eu tô sabendo disso tudo e concordo demais que o negócio pode descambar prum consumismo bizonho. Mas também pode ser só bacana e você pode só curtir aquela empolgação toda e não precisa necessariamente consumir mais, só prova ali o cafezinho pumpkin latte em vez do cafezinho normal não-pumpkin-latte de cada dia.

Pronto. Não tem que se flagelar pensando no carbon foot print do seu Halloween. Pode ser bem inofensivo, só bacana mesmo.

Enfim, depois do Halloween a coisa dá uma esfriada por um, dois dias, mas quando você ainda tá se acostumando ao sabor das coisas pumpkin-free, vem o Thanksgiving e te dá um tapa na orelha! Eu infelizmente não estava em Boston city pra viver esse feriado como deus manda, mas viajei umas 3 semanas antes do feriado e te falo que a essa altura já táva pipocando peru de papel-machê pra tudo quanto é canto.

E aí, quando eu voltei, era a vez do Natal.

Ahh, o Natal.

De cara eu posso dizer que sempre foi meu feriado favorito. Sempre pirei em como o clima da cidade muda, junta aquelas luzinhas pela cidade, com aqueles reencontros com família de longa data, com aquele texto na rádio sobre viver a vida intensamente narrado pelo Pedro Bial, com uma antecipação pelo mês de férias no Espirito Santo; uma época do peru (ha-ha).

Mas te falo que o Natal aqui é outra história – primeiro que tudo relacionado ao Natal foi obviamente pensado prum clima frio, desde o pinheiro, ao Papai Noel todo agasalhado, à ceia mega calórica (sacanagem é estar de biquíni em Guarapari no dia 25 depois de ter jantado a “farofa dos 18 ovos” do meu pai na noite anterior). Então de cara a vibe geral do Natal já faz muito mais sentido.

E daí além disso tem a empolgação americana com feriado que culmina totalmente no Natal e faz com que as pessoas cubram a casa inteira de luzinha amarela e Rudolph de neon num nível que provavelmente dava pra iluminar El Salvador por um mês.

Tá todo mundo tão no clima que rola um cheiro constante de biscoito de canela no ar, uma falta de vergonha consensual pra usar suéter de rena e um loop infinito do CD de Natal da Mariah Carey na farmácia na esquina da minha casa. É lindo.

Então fica a dica, chegando o Natal, se der, dá uma chegadinha ai em Boston e pira comigo nos americanos high on christmas. E se não der, tá de boa: prepara aquela bela rabanada de panetone da Ana Maria Braga, agradece sua tia de coração por mais um sólido ano ganhando meias da Topper e arremata cantando em coro “Como vai você” com seu primo bêbado na reprise do especial de Natal do Roberto Carlos.

 

Se eu aprendi alguma coisa com os americanos, é que o que vale mesmo é a empolgação.

O paradoxo da escolha – ou “a arte de comprar leite”

Eu sempre curti ir no supermercado em países alheios. Entender um pouquinho do hábito das pessoas do lugar pelo tipo de comida que você encontra, pirar nuns ingredientes malucos tipo sorvete de feijão ou se achar a Narcisa Tamborindeguy comprando um Biscuit Marie num supermercado charmosinho francês só pra depois perceber que pagou 4 euros num pacote de biscoito maria.

E eu tive esse alegria chegando aqui nos Estados Unidos, eu fiquei maravilhada com a quantidade de marcas e opções e como qualquer supermercado normal daqui botava até o VerdeMar da BR no chinelo.

Mas quando você começa a ir sempre, pra comprar coisas do dia a dia e não tem 2 horas pra ficar pirando em tranqueiradas (nem dólares suficientes pra ficar provando sorvete de grão-de-bico todo dia) a experiência num supermercado americano pode ser bem sofrida.

O negocio é que é o seguinte: a estrutura do supermercado aqui em princípio é a mesma que a de um supermercado qualquer no Brasil ou na Espanha, no caso, então ele pode até parecer um estabelecimento inofensivo visto de fora, apenas um supermercado legal com bastante variedade, bacana. Mas pra um olhar mais treinado, meu amigo –believe me – isso não é um supermercado comum.

Vamos ao exemplo porque com exemplo fica tudo mais fácil de entender: seção de leite num supermercado brasileiro. Num supermercado padrão você tem uma seção de leite que normalmente se limita a talvez umas 8 marcas e dentro de cada marca tipo desnatado, semi, integral. Pronto. A humanidade precisa de mais diversidade de uma commodity tão banal como leite? Não precisa gente, tá mais que suficiente.

Só que não, vem comigo porque pra o sujeito poder navegar pela seção de leite nos Estados Unidos, nossa ele tem que ter um entendimento pelo menos básico da teoria dos jogos, um conhecimento intermediário de tabela dinâmica e de preferência ter feito Kumon na quarta série.

O negócio não é pra qualquer um não.

Pra começar, que a seção do leite totalmente se duplica entre leite Uht e leite fresco. Aqui, isso são dois mundos completamente diferentes. E dentro de leite fresco, por exemplo existem sub-seções: tipo com lactose e sem lactose.

Mas afinal, o que é um leite sem lactose, não é mesmo? Ele pode ser leite de amêndoas. De soja. De favas. De vaca mesmo, só que tirando a lactose (que aliás, WHAT?), de caju, de coco, de arroz, de hemp (que aliás, WHAT?) e por aí vai indo. E dentro de cada sub-sub seção de leite sem lactose, digamos de amêndoas, você tem umas 8 marcas e cada uma dessas 8 marcas por sua vez tem uma sub-sub-sub opção de 1% de gordura, 2% de gordura, 5% de gordura, 17,3% de gordura e daí pro infinito. E dentro do sub-sub-sub-sub-sub conceito de leite sem lactose de amêndoas da marca Almond Dream 3,1415% de gordura, você pode querer de repente “com 30% mais Ômega 3” ou “15% mais cálcio”. Ou os dois, juntos! Porque não? Totalmente existe um mercado proeminente de pessoas intolerantes a lactose que curtem amêndoas, se preocupam – moderadamente – com a ingestão de gordura mas querem um boost de Ômega 3 e cálcio. Tipo, eu mesmo conheço, altas pessoas.

Tá sentindo o drama?

Não vem botando a mão na minha cabeça dizendo que isso é lindo, que é maravilhoso ter essa variedade incrível de opções, que o consumidor americano é um privilegiado e tentar me convencer de que o capitalismo nasceu mesmo foi pra satisfazer  aquele consumidor cujo grande sonho de consumo é sempre foi o soymilk-gluten-free-0,2%fat-vegan-VitamineCenhanced.

Não.

Essa quantidade absurda de opção, ela deixa de ser ótima e passa a gerar uma dor de cabeça, uma ansiedade, uma inquietude, uma sensação de incompetência e impotência por nunca, JAMAIS saber se você fez a melhor escolha dentro das 317 opções de leite disponíveis – e aqui eu tô falando só de l-e-i-t-e. É foda.

Então fica aqui a mensagem pra você, meu amigo que vai comprar leite na padaria da esquina e só encontra um Itambé Integral. Pra você, que só tem que decidir entre desnatado ou semi. Pra você que achava que leite sem lactose era um mito, tipo melancia sem semente. Você, que pode dizer “vou ali um minutinho comprar leite”. Você é um abençoado e não tá sabendo. Aproveita esse momento de simplicidade plena de escolha. Curte o fato do supermercado não ser o momento mais mentalmente desafiador do seu dia.

E quando vier pros Estados Unidos, nem passa no supermercado, só toma o café com leite no Starbucks mesmo, pra simplificar.

Ah, isso sim: vai querer Mocha, Chai, Capuccino, Pumpkin Latte, Cinammon Latte, Macchiato ou um Salted Caramel Mocha Frapuccino?

Visita

Visita é a melhor coisa que tem pra tem tá morando longe. É uma maneira de ter um pedacinho de casa ou de uma lembrança, de uma história, por um tempinho só que seja, de novo, na sua vida.

Aliás, se você conversar com qualquer pessoa que mora fora do seu país, e que te diz que morre de saudades, que pensa em voltar, que vive num limbo e num conflito eterno sobre essa questão de morar fora do país, essa pessoa com certeza vai te falar que se levassem a família e os melhores amigos pra cidade onde ela está vivendo, onde quer que seja no mundo, acabô. Resolveu o conflito, todos vivem felizes para sempre e ninguém mais sobe num avião transatlântico ou peleja com as falhas de conexão das ligações com vídeo no skype.

Então sim, a gente fala que sente falta do guaraná diet, do pão de queijo congelado, de tomar café da manha assistindo Mais Você, mas isso tudo são detalhes muito pequenos da saudade. A gente sente falta mesmo é das pessoas.

Então quando tem visita é uma maravilha, porque é aquele sonho que você adoraria realizar de ‘lugar bacana que eu moro + pessoas bacanas que eu amo’ por uma fração pequena da vida que vira realidade.

É lindo.

Mas tem coisa que visita faz que irrita.

E não são as visitas que vem na minha casa. Ou na sua casa. São visitas. Conceitualmente. Eu e você faremos essas coisas quando formos visitas. Porque é assim que funciona.

Tudo começa quando a visita te pergunta como estará o clima na cidade quando ela estiver visitando. Daqui a um mês e meio. Você não tem nem ideia. Obviamente. Então você vai fazer o que a visita deveria ter feito que é consultar o Google weather. E aí pronto.

A partir desse momento a visita vai te ter como um guru,  como uma fonte de informações inesgotáveis sobretodos os aspectos da sua cidade. Ela vai te jogar indiscriminadamente todas as perguntas e as dúvidas que ela tiver ao longo da viagem.

Vocês vão entrar em um restaurante que você nunca tinha ido antes e ela vai perguntar “você sabe onde é o banheiro?” ou “será que as porções aqui são grandes?”.  Hm.

Ela também vai te perguntar informações de prédios e construções em geral na cidade, qualquer coisa que ela for vendo na rua. Tipo “que que é aquele prédio alto, bege ali?”. Nem ideia. Porque no caso, não, você não conhece a história e razão de ser de cada prédio na cidade onde você mora há poucos meses.

E com certeza a pessoa também não sabe esse tipo de informação sobre a própria cidade onde ela mora há anos, mas ela ainda assim vai te dar um olhar de soslaio de “que falta de interesse você tem sobre sua nova cidade”. E você vai se sentir mal, você vai se sentir culpado mesmo.

Um fenômeno que não acontece com 100% das visitas, mas com um percentual bem relevante é o fato de que as pessoas quando vão visitar um amigo ou um parente elas agem de uma maneira muito diferente de quando elas vão viajar sozinhas pra ficar num hotel. No sentido de que quando alguém vem te ver ela normalmente não pesquisa absolutamente nada sobre o lugar.

E ela não tem interesse em realmente entender como se locomover no lugar.

Então ela só te segue, ela é incapaz de entender placas, sinais ou ler um mapa de metrô.

Ela acorda cada manhã com a pergunta: “E aí o que vamos fazer hoje?” esperando um itinerário elaborado do dia à la programação de verão de hotel fazenda (e você quase se sente coagido a imprimir um flyer indicando que o dia começa com o encontro na recepção para uma caminhada ecológica as 7 da manhã).

Um comportamento também muito recorrente é que a pessoa pode ficar o tempo que for na sua casa, tipo 6 meses hospedado na sua casa, ela vai inevitavelmente lembrar de alguma coisa que ela esqueceu de comprar pra prima dela no último dia de viagem, à tarde. E vocês vão sair como loucos de casa procurando essa coisa, vai ser um stress desnecessário. Mas acontece.

Muita visita também se recusa a adaptar a algumas normas locais. Por exemplo, nos Estados Unidos, tem que dar gorjeta. Tem que dar. E de tipo 15, 20%. E isso é muita coisa, eu sei, ainda mais quando você tá multiplicando tudo por 3,20 por causa do dólar que sobe todo dia. E então visita normalmente não dá gorjeta. Ela arredonda a conta, se enganando de que esta deixando uma gorjeta, mas ela tá deixando um 2% de gorjeta, que não vale nada, na verdade.

Já quando eu morava na Espanha a visita brasileira normalmente não entendia o espanhol como um idioma diferente do português. Então ela simplesmente falava português com as pessoas. Jogando um sotaque ali, umgracias acolá. E aí aconteciam coisas do tipo pedir vinho tinto e vir um mojito, pedir frango e vir um petit gateau e outras anedotas que nunca impediram a visita de mudar a dinâmica dos pedidos, mesmo quando o garçom tentava mudar pro inglês.

Mas nada disso importa.  São detalhes pequenos, anedotas. Visita é sempre bom demais e eu só fico lembrando dos “perrengues” pra ver se alivia a saudade.